Em defesa da Wikipédia

Quem acompanha a página do Mural Científico no Facebook e costuma ler os comentários já deve ter se deparado com o seguinte cenário: algum negacionista, seja do clima, das vacinas, evolução ou qualquer outro tema científico, questiona uma postagem da página. Respondemos então com os argumentos que corroboram com a postagem e, não raro, linkamos referências que podem incluir artigos da Wikipédia. Muitas vezes a reação é “Wikipédia? Faça me o favor! Descurtindo a página agora”. As pessoas têm uma certa aversão à Wikipédia — e elas não estão de todo erradas por ter um pé atrás. Porém, a Wikipédia é uma iniciativa muito importante e pode ser um guia para conhecer o básico de um assunto, o conhecimento já consolidado, possíveis críticas e como se encontram as discussões atualmente. Vamos entender por que a Wikipédia é importante e não deve ser desmerecida, sem deixar de lembrar os cuidados necessários.

A Wikipedia foi fundada oficialmente em 15 de janeiro de 2001, sendo um projeto complementar para uma outra enciclopédia online anterior, a Nupedia. A ideia do projeto é criar um repositório livre e aberto para que indivíduos criem, editem, revisem e excluam artigos de forma cooperativa e voluntária. Com o passar do tempo, a Wikipedia cresceu e hoje possui 277 versões. A versão em português possui 1.012.436 artigos. Todos os dias, milhares de artigos são criados, revisados, excluídos ou restaurados.

Embora a Wikipédia esteja suscetível a vândalos — pessoas que deliberadamente criam artigos incorretos ou inserem informações falsas nas páginas —, esses erros costumam ser rapidamente corrigidos pela própria comunidade ou pelos revisores, eliminadores, reversores ou supervisores do site. Se você não possui registro na Wikipédia e vandalizar artigos, seu IP pode ser banido permanentemente, impedindo que edite artigos futuramente. A Wikipédia também possui artigos de altíssima qualidade, principalmente na sua versão em inglês. Outra forma boa de utilizar a Wikipédia é buscar por um termo, ler o artigo e então buscar as referências e fontes utilizadas para escrevê-lo; assim, é possível verificar as informações e se aprofundar no assunto. Eu, particularmente, costumo utilizá-la até mesmo para estudos da universidade desta forma.

Por que então você não pode referenciar a Wikipédia em trabalhos escolares ou acadêmicos? Em trabalhos escolares essa ideia surge porque é uma ação preguiçosa: tornou-se muito comum que os alunos simplesmente copiassem o artigo ao fazer trabalhos escolares. Para coibir essa prática, os professores pararam de aceitar. No caso de trabalhos acadêmicos mais sérios essa prática não é válida porque deve-se referenciar os trabalhos originais. Nesse caso é mais prudente — e recomendável — ler os artigos originais para então referenciá-los. Em debates na internet ou para contextualizar para uma pessoa um determinado assunto, a Wikipédia é uma boa pedida, pois compila de forma simples e sintética o básico sobre o tema. Além disso, em discussões de internet, a ideia não é o rigor acadêmico, mas se fazer entender para chegar a um ponto comum. Fora que citar artigos acadêmicos pode não ser muito produtivo, pois muitos não irão se dispor a ler ou não possuem acesso a estes.

Em conclusão, a Wikipédia é uma ferramenta muito útil e uma das maiores conquistas da internet. Usá-la de forma inteligente é um grande facilitador para o conhecimento. Se você possui conhecimentos profundos sobre um determinado tema, dedique um pouco do seu tempo para a criação de artigos, a Wikipédia em português precisa bastante de alguns assuntos mais específicos. A física inglesa Jessica Wade, por exemplo, adiciona todos os dias um artigo sobre uma mulher cientista na Wikipédia! Precisamos de mais iniciativas assim.

Referências:

História da Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia#Hist%C3%B3ria

Estatísticas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Estat%C3%ADsticas

Deleções, artigos deletados e artigos restaurados: https://tools.wmflabs.org/wmcharts/wmchart0004.php

A mulher que inclui uma cientista por dia na Wikipédia:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/05/ciencia/1530788593_072320.html

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