Em Yale, pesquisadores descobrem um coquetel capaz de aumentar a expectativa de vida

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo diretor-investigador Dr. Jan Gruber da Universidade de Yale acaba de descobrir uma combinação de drogas farmacêuticas que não só aumenta a vida útil saudável do verme microscópico Caenorhabditis elegans (C. elegans) mas também atrasa a sua taxa de envelhecimento, uma descoberta que pode significar vidas mais longas e saudáveis para nós no futuro.

O estudo publicado na revista internacional Developmental Cell no dia 8 de Outubro de 2018 lança luz à base crucial no trabalho de desenvolver combinações de drogas para replicar o mesmo efeito em mamíferos.

“Muitos países do mundo, incluindo Singapura, estão enfrentando problemas relacionados a populações mais velhas,” disse Dr. Gruber, cujo laboratório e equipe de pesquisa foram os responsáveis pela descoberta. “Se encontrarmos um jeito de estender a expectativa de vida e atrasar o envelhecimento das pessoas, podemos combater os efeitos prejudiciais de uma população envelhecida, proporcionando assim não apenas benefícios médicos ou econômicos, mas uma melhor qualidade de vida para essas pessoas.”

Dr. Gruber é um professor-assistente de Ciência (Bioquímica) em Yale, e professor-assistente no Departamento de Bioquímica da Escola de Medicina Yong Loo Lin, na Universidade Nacional de Singapura. O estudo foi conduzido pela equipe de Gruber em colaboração com os pesquisadores da SLING (Singapore Lipidomics Incubator) no Life Sciences Institute, da Universidade Nacional de Singapura (NUS).

A equipe queria descobrir a que âmbito uma expectativa de vida saudável poderia ser prolongada usando uma combinação de drogas direcionadas a vários mecanismos biológicos que afetam o tempo de vida. Por exemplo, a droga rapamicina atualmente é administrada no pós-transplante para prevenir o sistema imunológico do corpo de rejeitar os órgãos recebidos, mas experimentos anteriores por outros grupos de pesquisa mostraram que ela também é responsável por prolongar a vida útil de vários organismos, como o C. elegans, mas também de ratos e moscas de frutas.

A equipe começou então a administrar combinações de dois ou três compostos direcionados a diferentes mecanismos de envelhecimento do C. elegans. Resultados mostraram que duas combinações em particular prolongaram a vida dos vermes mais do que cada uma das drogas separadamente, e em combinação com um terceiro composto o resultado quase dobrou. Esse efeito é maior do que qualquer extensão de vida útil já documentada através de intervenção com drogas em animais adultos.

O tratamento não teve efeito adverso na saúde do verme. Pesquisadores também descobriram que ao longo de todas as idades, os vermes tratados apresentaram uma melhor saúde e ao longo de sua vida estendida também passaram a maior parte dela saudáveis.

Esse é um ponto importante nas futuras intervenções humanas visto que um ciclo prolongado de saúde – e não apenas de vida – pode trazer benefícios econômicos e médicos significativos. “Nós nos beneficiaríamos não apenas por termos vidas mais longas, mas por passarmos mais tempo livre de doenças relacionadas ao envelhecimento como artrite, doenças cardiovasculares, câncer e até Alzheimer,” diz o Dr. Gruber. “Essas doenças atualmente requerem tratamentos muito caros, então o benefício econômico de ser saudável por mais tempo seria imenso.” Ele cita um estudo de 2017 que determina que se a taxa de envelhecimento dos cidadãos norte-americanos fosse 20% mais baixa, o governo teria poupado 7.1 trilhões de dólares em saúde pública ao longo de 50 anos.

O laboratório do Dr. Gruber também entrou em colaboração com Nicholas Tolwinski, professor-associado de Ciências na Yale-NUS e professor-assistente do Departamento de Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências da Universidade Nacional de Singapura. Juntos, descobriram que uma certa espécie de mosca de frutas (Drosophila melanogaster) tratada com o mesmo coquetel de drogas também recebeu uma extensão significante de vida útil. Dois organismos tão distintos em termos de evolução reagindo de forma similar a estímulos para estender o seu ciclo de vida sugere que os mecanismos biológicos que regulam as interações das drogas com o processo de envelhecimento sejam muito antigos, tornando ainda mais provável que a mesma interação possa ser direcionada aos humanos.

De acordo com Gruber, o estudo é uma prova de fundamentos, mostrando que intervenção farmacológica direcionada a vários mecanismos de envelhecimento é uma estratégia promissora para frear o envelhecimento e drasticamente prolongar a vida de animais adultos.

Os próximos passos dessa pesquisa serão focados em três grandes áreas. O primeiro será aumentar o escopo dessa descoberta focando em desenvolver intervenções ainda mais eficazes do que aquelas desenvolvidas durante o estudo. A segunda área envolve determinar os mecanismos biológicos e moleculares de como as drogas interagem em prol de retardar o envelhecimento e aumentar a vida útil, desenvolvendo modelos virtuais para simular as interações permitindo assim que os pesquisadores testem centenas de combinações adicionais através do modelo gráfico. A meta primordial dessa linha de pesquisa é desenvolver intervenções farmacêuticas seguras o suficiente para atrasar o envelhecimento em humanos, um objetivo que muitas outras equipe de pesquisa perseguem simultaneamente ao redor do mundo.

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Fonte da matéria: EurekAlert! e Technology Networks
Fonte da imagem: Technology Networks

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