Pesquisa aponta relação entre dor no parto e depressão

Ainda que a dor no parto já tenha sido relacionada à depressão pós-parto, o culpado pode estar no período de dor vivenciada depois do evento, e não durante o processo de dar à luz. É o que sugere uma nova pesquisa apresentada no encontro anual da ANESTHESIOLOGY® 2018.

Pesquisas anteriores demonstraram que a dor associada ao parto pode aumentar o risco de depressão, mas não foi especificado em que parte do processo o problema estava associado. Esse é o primeiro estudo a diferenciar os tipos de dores durante o processo e identificá-las como um fator de risco significativo para a depressão.

“Durante muitos anos, nós nos preocupamos em administrar a dor durante o processo, mas as dores da recuperação são frequentemente ignoradas,” disse Jie Zhou, M.D., M.B.A., autor do estudo e professor-assistente de anestesia na Harvard Medical School, em Boston. “Nossa pesquisa sugere que foquemos em cuidar das mães e administrar a dor do processo posterior ao nascimento do bebê.”

Sintomas de depressão pós-parto incluem tristeza extrema, baixa energia, ansiedade, episódios de choro, irritabilidade e mudanças nos padrões de alimentação e sono e afetam uma a cada nove mulheres, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Depressão pós-parto pode levar também a baixos índices de amamentação e falta de conexão com o bebê.

Nesse estudo, o grupo de pesquisa do Dr. Zhou revisou o relatório de dores (do começo do parto até a alta do hospital) de 4,327 mães de primeira viagem que tiveram seus filhos por meio natural ou via cesárea em Brigham e no Hospital das Mulheres entre primeiro de Junho de 2015 até 31 de Dezembro de 2017. Esses relatórios foram comparados à escala de depressão pós-natal de Edinburgo (EPDS) uma semana após o parto.

Dr. Zhou descobriu então que a depressão pós-parto estava significativamente associada à dor relatada após o processo. Mães que foram vítimas de depressão demonstraram mais queixas de dor no processo de recuperação, e com frequência precisaram de uma maior medicação – a maioria delas optou pela operação cesariana. Também houveram relatos de má administração nas dores pós-parto.

Uma grande quantidade de fatores pode contribuir para esse quadro. Pesquisadores determinaram também que a depressão pós-parto foi vista com maior frequência em mulheres: de sobrepeso ou obesas; que tiveram ferimentos no períneo (a área adjacente à cavidade vaginal); que já tinham um histórico de depressão; cujos bebês eram menores e nasceram com baixos índices de Apgar, um sistema de pontuação para avaliar a saúde física do bebê de um a cinco minutos após seu nascimento.

“Ainda que o ibuprofeno e outras drogas similares sejam consideradas adequadas para a administração da dor no pós-natal, obviamente algumas mães precisam de ajuda adicional,” disse Dr. Zhou. “Precisamos fazer um trabalho melhor em identificar quem está em risco e fazer questão que receberão a ajuda necessária.”

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Fonte da matéria: EurekAlert!
Fonte da imagem: Evening Standard

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