Os perigos do glitter para o meio ambiente

Com o carnaval a diversão, os bloquinhos e o glitter voltam à tona, porém esse pequeno adereço pode causar um mal terrível para o meio ambiente.

O glitter parece inofensivo, mas seu impacto ambiental levou alguns cientistas inclusive  pedirem que ele fosse banido. A maioria dos glitters é feito de plástico, e o pequeno tamanho de suas partículas o torna um potencial risco ecológico, particularmente nos oceanos.

“Eu acho que todo glitter deve ser banido, porque é um microplástico”, disse a Dra. Trisia Farrelly, antropóloga ambiental da Universidade de Massey na Nova Zelândia.

Os microplásticos são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros de comprimento. Seu tamanho torna um item atraente para maquiagem, embora perigoso para muitos animais que acabam por comer o glitter.

Não só os animais marinhos do plâncton às baleias foram documentados comendo plástico, muitas vezes com consequências fatais. Além disso, os microplásticos podem acabar dentro de nós quando consumimos peixes e frutos do mar. Um estudo liderado pelo professor de ecologia marinha Richard Thompson, Universidade de Plymouth, informou que plástico foi encontrado em um terço dos peixes capturado no Reino Unido.

Enquanto muitos microplásticos resultam de detritos plásticos que se dividem em pedaços cada vez menores, pequenas partículas chamadas micropergas são fabricadas especificamente para produtos cosméticos e de saúde. Essas micropergas não se degradam e, com toda a probabilidade, existirão nos oceanos por centenas de anos. Os cientistas estimam que mais de 8 trilhões de micropergas entram diariamente em águas norte-americanas.

O Canadá proibiu o uso de micropergas em junho passado. No Reino Unido a proibição entrará em vigor ainda neste ano, depois que cientistas e ativistas tornaram claro seu impacto devastador. Na Europa, a Cosmetics Europe, uma organização comercial que representa empresas de cosméticos, recomendou que as micropergas tenham seus usos descontinuadas.

A maioria dos glitters é feito de alumínio e um plástico chamado PET. Dra. Farrelly investigou como o PET pode se quebrar e liberar produtos químicos que afetam hormônios nos corpos de animais e humanos. Tais produtos químicos foram associados com o aparecimento de cânceres e doenças neurológicas.

A empresa de cosméticos Lush substituiu o glitter em seus produtos por alternativas sintéticas e biodegradáveis ​​em um movimento elogiado pela Dra. Sue Kinsey, diretora de política de poluição da Marine Conservation Society. “É uma atitude positiva da empresa, que ouviu conselhos e compreende claramente a ameaça”, disse ela.

“Ela também envia uma mensagem clara aos seus clientes que espero tentar e fazer as escolhas certas em outras áreas de suas compras”, disse ela.

Algumas marcas como: a própria Lush, Lola, Pura, Shock e Glitra possuem glitter biodegradável na sua forma pura ou nos seus cosméticos para quem quer brilhar muito com muita consciência para nosso planeta.

Referências: National Geographic, Independent UK

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