Estudo indica que os primeiros oceanos foram mais ácidos

Já há algum tempo os cientistas se perguntavam se o oceano estaria se acidificando, com o aumento do gás carbônico (CO2) na atmosfera ou, ao contrário, se tornando mais alcalino, já que o mesmo gás pode tornar mais frequentes as chuvas ácidas, que ao “lavar” o solo, terminam liberando das rochas componentes químicos que alteram o pH dos oceanos.

A importância dessa questão está nas consequências que a acidificação pode trazer a vida marinha, como visto no caso da “Grande Barreira de Corais” na Austrália, hoje em boa parte morta, já que os seres vivos que a compõem não suportam que essa alteração se dê de forma tão rápida.

Como sabemos, a alcalinidade ou acidez de um meio aquoso, como o oceano, se mede na chamada escala de pH, que vai de 0 a 14. O ponto 7 indica uma solução aquosa neutra, um número maior significa uma mais alcalina, e um menor, mais ácida. Atualmente, os oceanos tem, em media, um pH de 8,2, sendo portanto moderadamente alcalinos No entanto, os cientistas sabem que os crescentes níveis de CO2 são um fator que pode levar ao aumento na acidez dos mares.

Sem embargo, modelos que tentavam estimar o pH dos oceanos ao longo do tempo levantavam dúvidas se não haveriam outros fatores que poderiam equilibrar a influencia do CO2 ou mesmo levar o pH na direção contrária, de mais alcalinidade.

Um estudo recente, realizado pelo Dr. Itay Halevy, do Instituto Weizmann de Ciência (Israel), em colaboração com o Dr. Aviv Bachan, da Universidade de Stanford, indica que os primeiros oceanos, que surgiram numa época próxima ao do surgimento dos primeiros seres vivos, eram ligeiramente ácidos, tornando-se alcalinos de forma gradual.

O estudo, publicado na revista Science, dá pistas de como os níveis de pH dos antigos oceanos eram influenciados pelas taxas de CO2 atmosféricas. Isso é importante para que possamos entender melhor os efeitos da atual mudança climática.

Segundo Halevy, “no início, o sol era mais fraco, apesar de não termos evidencias de que o clima fosse muito mais frio. Nós pensamos que era assim porque a atmosfera primitiva tinha mais gás carbônico causante do efeito estufa que hoje, e assim que o Sol se tornou mais brilhante, os níveis de CO2 diminuíram”.

Como o dióxido de carbono (CO2) e água produzem ácido carbônico, parece sensato acreditar que os oceanos primitivos seriam mais ácidos. No entanto, níveis mais altos de CO2 teriam resultado em chuva ácida, que por sua vez, levaria a taxas mais altas de intemperismo químico (desintegração de rochas) na crosta terrestre, liberando íons que poderiam neutralizar em parte a acidez causada pelo CO2.

A dúvida era: qual efeito seria mais intenso? Até agora não era claro, pois modelos anteriores que estimavam os níveis históricos de pH marinho variavam muito.

O modelo de Harvey e Bachan, considerando esses fatores, chegou à conclusão de que os efeitos acidificantes das maiores taxas de dióxido de carbono prevaleceram, tendo os oceanos primitivos, portanto, um nível de pH menor ao atual. Se estima há  3 ou 4 bilhões de anos atrás essa taxa estaria entre 6,0 e 7,5.

Segudo Bachan, o estudo revelou que o nível de pH no oceano foi controlado por alguns poucos processos, durante todo o período geológico.

A descoberta tem implicações no entendimento que temos dos processos que afetam atualmente nossos mares, segundo o Dr. Bachan: “Nós temos um oceano primitivo mais ácido do que o atual, no qual a vida primitiva prosperava e os ciclos químicos estavam balanceados; mas se quisermos aplicar essa percepção hoje, teremos que lembrar que o equilíbrio entre ácidos e bases foi mantido durante escalas de tempo geológicas – de milhões de anos”. O dr. Bachan também adverte: “a acidificação atual causada pelo CO2 é muito mais rápida, portanto este modelo não se aplica em um problema de curto prazo. Dentro de centenas de milhares de anos, os oceanos vão encontrar um novo equilíbrio, mas nesse ínterim, os organismo e ambientes marinhos poderão sofrer”.

Referência: Eureka Altert

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