Cientistas desenvolvem um método para prevenir e controlar a morte celular

Uma equipe de cientistas da Universidade Estadual de Michigan e do Instituto de Biofísica Teórica e Experimetal da Academia Russa de Ciências (localizado em Pushchino) estudaram os mecanismos de interação entre a proteína Fas-ligand (ou Fas-ligante), responsável pela morte das células e a sua respectiva membrana receptora. O que aconteceu foi a descoberta de que este cenário só ocorre quando a molécula entra em contato com uma proteína muito específica da célula que está morrendo –  a caveolina. Se a ligação por caveolina e seu domínio forem removidos da molécula da FasL, a morte da célula pode ser prevenida. Os resultados desse estudo foram publicados na revista Cell Death & Disease.

Fas-ligand pertence a um grupo de fatores de necrose tumoral. Sua principal tarefa é induzir a morte das células, e o processo começa após a interação com os respectivos receptores localizados na superfície da membrana de plasma. O contato inicial dá início a uma série de reações terminando na apoptose, um dos tipos de morte que as células sofrem.

“Nós estudamos os mecanismos de reação entre FasL e o seu receptor, e descobrimos que para acontecer o seu estímulo a caveolina é primordial. Ela é anexada à Fas-ligante, e se conseguirmos remover desse processo a caveolina, a molécula se tornará consideravelmente menos tóxica para as células. Em nossos experimentos, nós usamos métodos biológicos e celulares bastante tradicionais,” explica Vladimir Gogvadze, Doutor em Ciências, pesquisador-chefe no laboratório responsável por estudar os mecanismos da apoptose na Faculdade de Medicina Fundamental, no MSU.

Em uma célula, ligantes de Fas podem ser tanto solúveis ou parte da própria membrana, seja revestindo-a ou penetrando-a pela sua camada. No último caso, FasL é composta por uma parte extracelular, uma parte intracelular e outra de membrana. A extracelular é responsável pelo reconhecimento do receptor, a membrana ainda é pouco compreendida e a intracelular desenvolve um papel dentro do transporte e processamento de sinais, assim como conduzir a ligante nas correntes da membrana, formadas por moléculas de colesterol e esfingolipídios, reunidos em torno da caveolina. O fato de que a ligante seja necessária em tal processo para dar início à apoptose sugere suas possíveis interações com os componentes do organismo da membrana.

De fato, a transcrição da sequência do aminoácido da ligante de Fas torna possível identificar a presença de domínios especiais que seletivamente criam conexões com a caveolina. Os experimentos feitos nas células que não possuíam estes fragmentos de ligação confirmaram a teoria inicial: incapaz de interagir, a proteína perde a sua propriedade assassina, e sua toxicidade se torna reduzida. Já é de conhecimento científico que a caveolina é capaz de retardar o crescimento de tumores, à luz dessa descoberta agora também é possível afirmar que grande parte do que é responsável por isso está no processo que conecta caveolina a FasL. Esse mecanismo pode fazer com que células cancerígenas, por exemplo, sejam alteradas de forma a sofrer apoptose, a morte celular programada.

“O valor principal do nosso trabalho é difundir os mecanismos da estimulação de morte celular. No futuro isso nos ajudará a desenvolver novas estratégias para o tratamento do câncer,” concluir Vladimir Gogvadze.

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Fonte da matéria: EurekAlert!
Fonte da imagem: MedicalNewsToday

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