Como ligar um vulcão ?

Vesúvio, Etna, Mauna Loa, Monte Tambora, Krakatoa … Esses são alguns dos vulcões mais conhecidos, responsáveis por grandes desastres naturais e que sempre despertam interesse. Presentes na história desde o surgimento do planeta Terra, os vulcões representam uma conexão do interior da Terra com seu exterior e são ótimos objetos de estudo para as ciências naturais, sendo eles ativos (quando podem entrar ou não em erupção) ou extintos (quando não podem mais entrar em erupção). Mas afinal o que leva um vulcão a entrar em erupção?

O planeta é composto por diversas camadas. O núcleo é a mais interna e possui uma fase mais sólida no centro (devido à alta pressão) e mais líquida na parte mais externa. O manto vem em seguida e possui um aspecto, em sua maioria, sólido, mas sua parte mais externa é mais plástica (conhecida como Astenosfera). Por fim, a crosta, que é sólida e onde há toda a vida nela presente.
A crosta é composta por placas tectônicas, que “boiam” na astenosfera, semelhante a casca de um ovo cozido. O que acontece é que essas placas se movimentam para diferentes direções e eventualmente colidem. Isso leva a uma movimentação do material (magma) que há abaixo das placas tectônicas e ele ascende, o que só ocorre no contato das placas tectônicas. O magma nessa condição recebe um nome especial de lava e atinge a superfície terrestre e assim um vulcão entra em erupção.

Estima-se que 10.000 vulcões alcançaram essa condição nos últimos 2 milhões de anos, entretanto apenas 500 deles encontram-se na condição de ativos. Isso ocorre, pois as placas tectônicas se movimentam e o que há acima dela pode ora estar nas bordas, ora estar no meio delas ao longo de milhões de anos.  Isso faz com que muitas vezes um vulcão que tinha a capacidade de entrar em erupção se torne apenas um edifício vulcânico sem contato com a astenosfera e sem perigo de entrar em erupção, apenas uma parte da história, tal qual uma cidade antiga.

No entanto é possível que no meio de uma placa haja um vulcão, é raro, mas acontece.  Não se sabe muito bem ainda o que acontece, mas a pressão interna e o sistema de convecção do manto gera anomalias chamadas de “Hot spots”, que afetam o interior de uma placa tectônica. Imagine que as placas tectônicas são como uma folha de papel. Se você pegar uma caneta e fura-la no meio a caneta transpassa a folha e é possível vê-la do outro lado. Algo semelhante ocorre nesses casos. O magma ascende e corta a superfície fazendo com que um vulcão entre em erupção. É o que acontece por exemplo no Havaí, na Islândia e aconteceu Fernando de Noronha (alguns milhões de anos atrás).
Agora pense na folha de papel atravessada pela caneta, se puxarmos a folha deixando a caneta fixa cria-se um rasgo maior, mas a caneta passa a atravessar um ponto diferente do papel. Como as placas se movimentam, essas anomalias passam a atingir pontos diferentes gerando novos vulcões e novas erupções. Como o vulcão pré-existente não recebe mais o magma do “Hot spot” ele torna-se inativo. Assim como o rastro da caneta no papel a superfície terrestre fica com um rastro de vulcões, uma sequência de vulcões inativos. É o que ocorre no Havaí, que possui um “hot Spot”, e as ilhas vizinhas Maui, Oahu e Kauai, que alguns milhões de anos atrás possuíam vulcões ativos, por conta dessa mesma anomalia, porém hoje eles são apenas parte da história terrestre.

Dessa maneira, podemos compreender um pouquinho melhor dessas formações naturais gigantescas, estupendas e eventualmente perigosas. Existem muitos aspectos que cercam a existência e as atividades de um vulcão, que estão diretamente relacionadas com a história da Terra, mas não só ela. Vênus possui uma geologia ativa apresentando assim atividade vulcânica, assim como algumas luas de Júpiter. A nossa lua e Marte guardam apenas registros de uma atividade com vulcões inativos. Isso ajuda também a compreender a história dessas luas e planetas. Então, mesmo não podendo controlar quando e onde ocorre uma erupção, o homem pode estudar e entender como o planeta é capaz de ‘’ligar um vulcão’’.

 

FONTE: http://webgeology.alfaweb.no/
Imagem: retirada da internet

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