Especialistas precisam adaptar tratamentos para homens com depressão

Para que tratamentos visando a melhoria da saúde mental dos homens continuem funcionando, eles precisam mudar. Assim diz a nova pesquisa feita pela Universidade de Sydney.

Nos últimos dez anos, o número de pacientes locais do sexo masculino buscando tratamento para depressão sofreu um aumento de 10%, diz Zac Seidler, candidato a PhD da Escola de Psicologia na Universidade de Sydney, Austrália. Ainda assim, os suicídios ocorridos no país trazem uma predominância masculina: três quartos do total, ainda que o número total de suicídios tenha permanecido o mesmo.

Nas novas descobertas publicadas pela Australian Psychology, Seidler diz que os especialistas do ramo precisam mudar a maneira como exercem o tratamento sobre os pacientes homens para que haja alguma eficácia na verdadeira epidemia de suicídios dos últimos anos.

“Homens buscam tratamento hoje em dia muito mais do que antes, mas não sentem-se comprometidos com o tratamento e logo o abandonam”, diz ele.

“Com dados ao nosso dispor apontando que muitos buscam ajuda profissional antes de uma decisão fatal, este momento decisivo na vida de muitos deve receber a atenção e o tratamento necessário corretamente”.

Baseado em entrevistas com homens que sofreram episódios de leve a moderada depressão, Seidler descobriu que os resultados do tratamento que receberam ficaram muito aquém do que era esperado. Muitos profissionais presumiram erroneamente que os pacientes haviam entendido o processo do tratamento, mas a poucos foram dadas metas e a habilidade de lidar com a própria depressão.

“Isso nos trouxe à atenção que homens estavam procurando tratamentos e terapia mais orientados à ação e atividade, ao invés de um processo menos estruturado ou de catarse”.

“Seria muito mais apropriado conduzir o processo levando em consideração os traços masculinos inatos como assumir riscos e a vontade de sentir-se forte novamente, aliados ao tratamento. Homens costumam ter uma ideia de como o tratamento tem funcionado através do resultado visível, de um plano estruturado voltado à recuperação, de retomar a força que um dia tinham e sentirem-se de volta no controle de suas próprias vidas”.

A pesquisa de Seidler também aponta que a maioria dos tratamentos psicológicos têm fundamentos em base da terapia de diálogo. Ainda que fosse útil para resultados a curto prazo, muitos dos participantes da pesquisa viram na falta de estrutura de resultado e progresso um desperdício de tempo e dinheiro. Em alguns casos, foi descrito que a falta de ação e diálogo em excesso só os fez ficarem ainda mais nervosos.

Profissionais clínicos precisam pensar mais na comunicação e entrega para com os seus pacientes – e a relação que estabelecem com eles – e menos no tratamento em si, como conclui Seidler em seu artigo “Homens dentro e fora do tratamento da depressão: estratégias de engajamento”.

“É uma questão de adaptabilidade”, diz ele. “Um esforço dedicado ao tipo de atenção correta aos pacientes deve aliviar o fardo também que os profissionais clínicos carregam através de períodos mais curtos de terapia e esforços estruturados. Também auxiliará em educar a mente masculina às habilidades que podem desenvolver para assegurar que a depressão possa ser combatida, quando precisarem lidar sozinhos com uma nova crise”.

Seidler e seus colegas de profissão possuem atualmente um centro de treinamento para profissionais da saúde mental (Man Island) para ajudar a resolver algumas das questões práticas citadas neste artigo, assim como para garantir que homens receberão não só o tratamento que desejam, mas também o que precisam.

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Os co-autores do artigo são: School of Psychology, The University of Sydney; Orygen, National Centre of Excellence in Youth Mental Health; Centre for Young Mental Health, The University of Melbourne; School of Nursing, University of British Columbia; Blackdog Institute, University of New South Wales; e Centre for Medical Psychology and Evidence-Based Decision-Making, The University of Sydney.

Fonte da matéria: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2017-10/uos-mhc102717.php
Fonte da imagem: http://www.psicologofelipefranca.com.br/2015/04/depressao-masculina-voce-conhece.html

Sobre o Autor - Gabriel Carvalho

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