10 milhões de vidas salvas graças à vacinação desde 1963, segundo estudo

Imagem de Capa via Wikipedia (conteúdo livre)

 

A linhagem celular WI-38, desenvolvida por Leonard Hayflick, da Universidade da Califórnia em São Francisco, em 1962, tornou possível a produção de vacinas para mais de 10 doenças. Segundo estudo de S. Jay Olshansky, professor de epidemiologia e bioestatística na Universidade de Illinois, essa descoberta já salvou mais de 10 milhões de vidas.

Antes dessa descoberta usava-se células de macacos, porém corria-se o risco de uma contaminação por vírus potencialmente perigosos que infectavam esses animais. Por precaução, se deu fim à produção, o que poderia expor milhões de pessoas aos agentes causadores de várias doenças. Com a criação de Hayflick, foi possível produzir vacinas com segurança.

Foi a partir de 1963 que a vacinação contra a poliomielite, a hepatite A, a raiva, a catapora, a herpes zoster, a caxumba (ou papeira) e o sarampo foi disseminada, pois começou a ter produção em massa.

Hayflick ficou curioso em saber qual tinha sido o impacto da sua criação, então entrou em contato com S. Jay Olshansky, professor de epidemiologia e bioestatística na Universidade de Illinois.

Para estimar o quanto a vacina preveniu doenças ou potenciais mortes, Olshansky usou dados publicados acerca de casos e mortes relacionados à doenças, nos Estados Unidos em 1960 (ano em que as vacinas ainda não estavão disponíveis). O pesquisador supôs que as taxas das enfermidades se mantiveram nas mesmas taxas sem as vacinas. Considerando que a introdução de cada vacina se deu em diferentes momentos, o professor multiplicou o número de anos em que cada vacina ainda não estava disponível pela taxa de prevalência (o número de casos em uma dada população) de cada doença.

A descoberta de Hayflick possibilitou a produção em massa de vacinas que preveniram 200 milhões de casos de poliomielite, sarampo, rubéola, caxumba, raiva, além de aproximadamente 450.000 mortes! Tudo isso apenas nos Estados Unidos, no período estudado, entre 1963 e 2015.

O estudo, publicado no periódico AIMS Public Health, também estimou que, a um nível global, as vacinas desenvolvidas a partir da WI-38 e suas derivadas tenham prevenido 4,5 bilhões de casos e salvo a vida de cerca de 10 milhões de pessoas.

Nunca é demais enfatizar a importância da vacinação, e estudos como este só ressaltam a relevância dessa medida de saúde pública ao nos permitir saber o impacto que tiveram na preservação da saúde e da vida de milhões. Ainda mais se considerarmos os perigos do crescente movimento anti-vacinação, como demonstrado nos recentes surtos de sarampo que afetaram a Califórnia em 2014 e 2015. Os pais que não vacinam seus filhos expõem não só eles ao perigo, mas outras crianças que estariam protegidas pela imunidade de grupo, quando a maior parte de uma população está vacinada, o que limita a propagação da doença.

Se estima que cerca de 1,4 milhão de crianças menores de 5 anos ao redor do mundo ainda morram devido à falta de acesso às vacinas, principalmente nos países em desenvolvimento.

“É irônico que na comunidade anti-vacinação, as mesmas pessoas que estão negando proteção aos seus filhos ao renunciar à vacinação estejam vivas e saudáveis porque elas e provavelmente seus pais, foram vacinados,” diz Olshanksy.

Conforme o movimento anti-vacinação cresce, aumenta também o risco de que ganhe apoio político, como visto no caso das declarações do presidente Donald Trump (EUA) sobre uma relação entre as vacinas e o autismo (uma associação absolutamente falsa) e o fato dele ter indicado um defensor dessa alegação para uma comissão que investigará a segurança das vacinas.

Segundo Hayflick: “Não há remédio, mudança de estilo de vida, inovação na saúde pública, ou procedimento médico já desenvolvido que tenha sequer se aproximado dos benefícios associados com as vacinas na prevenção primária (que evita a doença), extensão e preservação da vida”.

 

Fonte: EurekAlert

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