Percepção do público sobre a ciência depende do “grau de certeza” que ele percebe

Imagem de Capa: CMU

Muitas políticas- em relação à medicina ao terrorismo- dependem da maneira em que o público aceita e entende a evidência científica. As pessoas veem os diferentes ramos da ciência como tendo níveis diferentes de incerteza, que podem não refletir a verdadeira incerteza da área. Contudo, as percepções do público determinam a ação, a destinação de recursos orçamentários e a direção das políticas públicas. Portanto, é necessário entender as percepções que se tem da incerteza e as influências que afiliações políticas podem ter nas crenças relacionadas à ciência.

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Este quadro mostra a percepção do público acerca de diferentes campos da ciência, dos menos precisos (à esquerda) aos mais precisos (à direita) segundo a percepção popular. (Fonte: CMU)

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon tomaram o primeiro passo para entender mais acerca desse quadro ao medir de forma ampla a incerteza científica – ao longo de várias áreas da ciência, não apenas temas que são tipicamente polarizados (como a teoria da evolução ou as mudanças climáticas). Publicado no periódico Journal of Experimental Psychology, os investigadores descobriram que a maneira como as pessoas compreendem a precisão de um campo científico em especial pode conduzir a sua percepção dele e como estimam sua incerteza.

.”A incerteza é parte natural da pesquisa científica, mas, na esfera pública, pode ser usada seletivamente para desacreditar resultados ou adiar políticas importantes. Entender como o público percebe a incerteza é um importante primeiro passo para entender como comunicá-la” diz Stephen B. Broomell, professor assistente de ciências sociais e teoria da decisão no Dietrich College of Humanities and Social Sciences.

Para examinar as percepções sobre a incerteza científica, Broomel e seu estudante de doutorado Patrick Bodilly Kane desenvolveram uma escala para medir como as pessoas avaliam diferentes ciências. Logo, foram capazes de criar um mapa que enquadra as disciplinas científicas da menos para a mais certa.

“O mapa mostra que as percepções do público podem não refletir a realidade do estudo científico”, Broomell diz. “Por exemplo, a psicologia é vista como menos precisa enquanto a ciência forense é percebida como mais precisa. No entanto, as ciências forenses são assoladas por muitas das mesmas incertezas da psicologia que envolvem predizer o comportamento humano com evidências limitadas.”

Broomel e Kane também descobriram que as percepções da incerteza científica estão altamente relacionadas aos juízos acerca do valor de uma ciência em particular. E isso influencia como as pessoas pensam que uma área científica deve ser financiada.

“Isso nos diz que as pessoas não estão conectadas à prática da exploração científica. Quando a precisão percebida não é a mesma que a precisão real, isso pode levar a escolhas perigosas, já que algumas áreas essenciais como a psicologia, a economia e a engenharia genética fornecem serviços sociais vitais mas podem sofrer cortes devido à essa desconexão”, alerta Broomell.

Apesar de que as afiliações políticas não são o único fator motivando a maneira como a ciência é percebida, os pesquisadores descobriram que ciências que podem potencialmente entrar em conflito com a ideologia de um determinado indivíduo são julgadas como sendo mais incertas.

“Nossa atmosfera política está mudando. Fatos alternativos e narrativas contraditórias afetam e aumentam a incerteza. Contudo, devemos continuar a pesquisa científica. Isso significa que devemos encontrar uma maneira de enfrentar a incerteza de um modo que lide com as preocupações do público”, Broomell diz.

Interessantemente, o estudo mostrou que a incerteza em relação à áreas científicas não se transfere e informa percepções sobre resultados de estudos em particular. Isso proporciona aos cientistas uma oportunidade de melhorar a comunicação. Focar em resultados individuais pode ajudar a atenuar preocupações e erros de percepção. Os comunicadores devem portanto se focar em detalhes específicos do resultado de um estudo no lugar de engajar-se na defesa da prática cientifica de uma maneira mais ampla.

Traduzido e Adaptado de CMU, autor original Shilo Rea

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