Transplante de fezes para tratar… Autismo?!

Imagem de Capa: Autor desconhecido, extraída da internet.

O mundo da microbiota intestinal – ou seja, a imensa população de microorganismos no seu intestino – é incrivelmente surpreendente. Já discutimos anteriormente no Mural como estudos demonstram influência da mesma em todo tipo de situações, de diabetes à esclerose múltipla. Agora, mais uma relação surpreendente apareceu: Os microorganismos do intestino podem influenciar no autismo.

Os transtornos do espectro autista (TEAs) são caracterizados por dificuldade na comunicação social e por presença de comportamentos repetitivos. Com a devida intervenção, indivíduos dentro desse espectro podem vir a ter vidas normais – portanto, medidas de tratamento eficazes são particularmente interessantes, especialmente quando não envolvem fármacos.

O estudo, publicado no periódico Microbiome, envolveu 18 participantes de 7 a 16 anos, submetidos à transplante fecal diariamente. O procedimento tinha como objetivo substituir a flora intestinal (Ou seja, os microorganismos) dos indivíduos autistas pela flora dos indivíduos neuronormativos.

Os resultados foram muito promissores, com uma melhora de 80% em sintomas gastrointestinais relacionados ao autismo e, mais surpreendente, de 25% quanto aos comportamentos relacionados ao autismo. Efetivamente falando, os microorganismos intestinais, de alguma forma, são capazes de modular o comportamento de um indivíduo.

Este estudo naturalmente é apenas o primeiro passo de um longo processo – o tratamento precisa agora se submeter às etapas subsequentes de aprovação antes de poder chegar aos mercados. Ainda assim, o estudo serve como mais uma evidência do impressionante papel da microbiota intestinal nas nossas vidas diárias.

Fonte: EurekAlert

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