Olimpíadas, Escravos e a Arqueologia

Imagem de capa: Autor desconhecido, extraído de Telegraph

Os jogos olímpicos já acabaram. Explosões de alegria, tristeza e decepção foram o cotidiano durante esses dias de herança grega. Todos se prepararam duramente para participar das muitas modalidades esportivas. A cidade do Rio de Janeiro também se preparou para receber muita gente: turistas e esportistas. A preparação, todos sabemos, foi e é muito controversa. Mas afinal, em que interessa à ciência os jogos olímpicos ou a controvérsia da preparação fluminense?

As inúmeras remodelações urbanas realizadas visando os jogos olímpicos, e anteriormente a Copa do Mundo, permitiram uma série de descobertas referentes à história da própria cidade do Rio de Janeiro e principalmente à escravidão. O Cais do Valongo é um exemplo da remodelação urbana empreendida para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A história do Cais está intimamente ligada à escravidão: foi por esse cais que milhares de africanos chegaram ao Brasil a partir do século XVIII.

A chegada ao cais de homens, mulheres e crianças vindos da África, sobretudo do Congo, Angola e Moçambique, em precário estado de saúde implicava em um grande número de mortes antes mesmo de serem vendidos nos mercados de escravos. Próximo ao Cais havia cemitérios para aqueles que na chegada, sucumbiam pelas péssimas condições em que viajavam.

A região do Cais do Valongo tem riquíssimos sítios arqueológicos como o próprio cais e o Cemitério dos Pretos Novos lugar onde os negros chegados ao Brasil e que logo morriam no período de quarentena no lazareto eram enterrados. O trabalho arqueológico no cemitério começou em 1996 e revelou grande riqueza material da escravidão, como ossos não cremados, porcelanas, conchas, colares e outros objetos, permitiu conhecer aspectos desconhecidos da vida de negros e também daqueles que trabalhavam na região do Cais do Valongo. Todo o trabalho desenvolvido pelo Cemitério dos Pretos Novos está voltado para a pesquisa arqueológica e divulgação científica. Há ainda o Memorial dos Pretos Novos, que integra um instituto de pesquisa, uma galeria e uma biblioteca, com acervo voltado para a história e cultura afro, brasileira e indígena.

A cidade do Rio de Janeiro não possui apenas lindas praias, mas um rico patrimônio histórico cultural. Na próxima viagem de férias valerá a pena conferir esse circuito histórico e arqueológico voltados para a cultura e herança africana.

 

Fontes: Pretos NovosPorto Maravilha

Autora: Maria Leandra Bizello

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