As abelhas e a Síndrome do Colapso da Humanidade

Imagem de capa: Todd Huffman, via wikimedia commons.

Derretimento das calotas polares? Crescimento populacional desenfreado? Apocalipse zumbi? Não. O que tem preocupado muitos cientistas a ponto de temerem pelo futuro da humanidade é o desaparecimento repentino e até agora quase inexplicável de abelhas em muitas partes do mundo.

Esse fenômeno foi batizado de Síndrome do Colapso das Colônias, ou CCD, da sigla em inglês. O que tem acontecido desde 2006 é que milhares de abelhas operárias da espécie Apis mellifera tem desaparecido sem deixar vestígio, levando à perda de milhões de colônias até agora. Muitas hipóteses sobre a causa desse problema foram levantadas: o parasita Varroa destructor, que se assemelha a um carrapato e infesta as colmeias, perda de habitat, imunodeficiências e outros fatores. Muitos pesquisadores estão se dedicando a esse assunto nos últimos anos, dada a importância econômica e ambiental das abelhas. Uma das possibilidades que tem ganhado força na comunidade científica é a presença de neonicotinoides em agrotóxicos. Esse composto não afeta diretamente as abelhas, mas deixa a colônia mais suscetível a fungos do gênero Nosema, que adoece os insetos.

Mas por que o desaparecimento das abelhas melíferas é algo tão relevante para os seres humanos? Dica: não é por causa do mel, própolis e cera. Esses insetos são polinizadores de uma quantidade muito grande de plantas que os humanos cultivam, como a maioria das frutas que comemos e o algodão, utilizado na fabricação de tecidos. Isto significa que, enquanto procuram pólen e néctar para levarem de volta à colmeia, as abelhas pousam nas flores e propiciam que os grãos de pólen cheguem ao gineceu, fecundando um ovário que dará origem a uma fruta e sua ou suas sementes, que é a parte economicamente interessante para nós. Ou seja, sem as abelhas, boa parte da produção de alimentos fica prejudicada. As plantações de amêndoa, por exemplo, são extremamente dependentes da polinização por abelhas; e na China já há pessoas realizando esse trabalho manualmente pela falta dos polinizadores. Além de não tão eficaz, este trabalho aumenta em muito o custo da amêndoa.

Mas não só as abelhas melíferas europeias criadas pelo ser humano tem sofrido com o desaparecimento e risco de extinção. No mundo, há pelo menos 20 mil espécies de abelhas, sendo que cerca de 3 mil delas são nativas do Brasil. Esses insetos tem sofrido diretamente com os fatores que também prejudicam as abelhas europeias, como a perda de habitat, parasitas e agrotóxicos. Há, porém, um agravante quando se trata das abelhas nativas. Essas espécies são responsáveis, não somente pela polinização dos cultivares humanos, mas também pela manutenção de inúmeras espécies vegetais nativas que compõe a biodiversidade da nossa flora. Ou seja, as abelhas nativas são necessárias para manter as florestas tropicais brasileiras preservadas.

Já foram criadas várias campanhas de conscientização sobre esse assunto, mas é preciso que isto se torne de conhecimento do público para que as pessoas possam cobrar os governos e órgãos para preservar e pesquisar esse inseto tão essencial para evitar a síndrome do colapso da humanidade.

Fontes: EPATED TalksSem Abelhas, Sem Alimento

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