Tragédia em Mariana ainda causa impactos ambientais

Imagem de capa: Autor desconhecido, encontrada na internet. Extraído de Jornal GGN

Na tarde de 5 de novembro de 2015, quase 6 meses atrás, a barragem do Fundão controlada pela empresa Samarco, localizada no subdistrito de Bento Rodrigues, na região de Mariana, Minas Gerais, rompia-se causando uma tragédia para as cidades locais e de proporções inimagináveis para o meio ambiente.

O acidente desencadeou um “tsunami” de lama e rejeitos de minério de ferro que atingiram o Rio Doce, que seguindo seu curso natural chegou ao mar poluindo aproximadamente 200 km ao norte e ao sul da sua foz, inclusive atingindo unidades de conservação, alterando equilíbrio ecológico do ecossistema matando toneladas de peixes e outros organismos aquáticos. [1]

Além disso, a lama ainda destruiu casas às margens do rio Doce, provocando a morte de 19 pessoas.

Embora a mineradora Samarco tenha afirmado repetidamente que a lama não é tóxica, estudos mostraram a presença de metais potencialmente tóxicos como arsênio, manganês, chumbo e selênio. Esses metais podem se acumular no organismo de animais e entrar na cadeia alimentar de peixes causando problemas de saúde de curto a longo prazo. O chumbo, em especial, quando presente em altos níveis no sangue do ser humano está associado a um maior risco de malformação fetal. [4]

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As empresas ainda não foram responsabilizadas pela tragédia. Diversos protestos já foram realizados. (Créditos: Reprodução/TV Globo)

Além disso, a lama ainda reduziu os níveis de oxigênio na água causando a mortandade de milhares de peixes e atingindo unidades de conservação colocando em risco áreas de proteção de desovas de tartarugas.

Para quem acha que o acidente foi apenas uma tragédia, ou um acaso, Cláudia Windmoller, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), já em 2007 analisando sedimentos da região do Quadrilátero Ferrífero, próximos as cidades de Ouro Preto e Mariana, observou elevadas concentrações de mercúrio nas amostras estudadas. [2] O mercúrio é um elemento químico extremamente tóxico ao ser humano, podendo afetar o cérebro, o coração, os rins e pulmões e até o sistema imune. [3]

A lama e os sedimentos liberados da barragem continuam a atingir o ecossistema marinho da foz do Rio Doce causando impactos ambientais de proporções incalculáveis e que podem demorar anos para começar a se reestabelecer, sem contar o efeito na economia local baseada na pesca, [5] Enquanto isso a natureza continua a ser atingida e os impactos devem se tornar ainda maiores, só nos resta exigir que medidas sejam tomadas para que tragédias assim não se repitam.

Sobre o Autor - Mário

Referências

[1] http://www.ebc.com.br/noticias/meio-ambiente/2016/01/tragedia-em-mariana-e-o-maior-acidente-mundial-com-barragens-dos

[2] Windmoller, C. C., Santos, R. C., Athayde, M., & Palmieri, H. E. L. (2007). Distribuição e especiação de mercúrio em sedimentos de áreas de garimpo de ouro do Quadrilátero Ferrífero (MG). Química Nova, 30(5), 1088.

[3] http://www.mma.gov.br/seguranca-quimica/mercurio

[4] http://asami.com.br/biblioteca/biblioteca-virtual/10-medicina-integrada/12-chumbo-e-toxicidade-.html

[5] http://www.mpf.mp.br/es/sala-de-imprensa/docs/sentenca-liminar-foz-do-rio-doce-pesca/view

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