Cientistas descobrem porque pessoas com Alzheimer deixam de reconhecer os seus entes queridos

Imagem de capa: Encontrada da internet, extraída de um vídeo no youtube.

A doença de Alzheimer é certamente a mais famosa das doenças neurodegenerativas. Caracterizada por uma degeneração progressiva do cérebro do indivíduo, o Alzheimer causa perda de memória e demência, levando inúmeras famílias à conviver com o drama de assistir aos seus amados conforme eles esquecem das habilidades mais básicas e, inclusive, da própria família. E, por mais que a doença ainda seja pouco compreendida, este último aspecto começou a ser esclarecido por um estudo recentemente publicado na Journal of Alzheimer’s Disease, o que pode abrir as portas para tratamentos específicos para atrasar esta manifestação.

Seria lógico assumir que os pacientes acometidos por Alzheimer simplesmente “esquecem” os seus entes queridos, mas não foi isso que o grupo concluiu. O que os pesquisadores descobriram é que aparentemente o Alzheimer prejudica especificamente a habilidade de reconhecer características faciais como olhos, nariz e boca – conhecida como “percepção holística”, que é fundamental para o reconhecimento de faces.

Para testar isso, os pesquisadores recrutaram voluntários com Alzheimer, bem como voluntários idosos sadios, e apresentaram imagens de carros ou rostos de celebridades, às vezes com orientação normal, às vezes de cabeça para baixo, e pediram para os pesquisadores identificarem as imagens.

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Exemplos de imagens utilizadas no experimento. (Imagem: Journal of Alzheimer’s Disease)

Os resultados foram interessantes: Os participantes com Alzheimer não tiveram maiores dificuldades que o grupo controle para identificar as faces ou carros invertidos, nem os carros em orientação normal. A percepção de carros não envolve a percepção holística, e a de faces invertidas exige a relação do cérebro de muitos outros elementos além dos que a percepção holística abrange. Apenas na identificação de faces em orientação normal que os pacientes com Alzheimer tiveram dificuldades, o que indicava uma dificuldade especificamente na percepção holística.

Com essa descoberta, o desenvolvimento de novas estratégias pode ser realizado – por exemplo, treinar os doentes para identificarem caracteres específicos na face de seus parentes, ou reconhecer suas vozes – de forma que se possa pelo menos prolongar o período que um familiar pode aproveitar com sua família, reconhecendo-a, durante o desenvolvimento da doença.

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Fonte: EurekAlert

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