Pesquisadores identificam área do cérebro importante para a prevenção da alimentação compulsiva

“Vários sintomas de distúrbios alimentares, como a sensação de estar perdendo o controle, coincidem com o que já sabemos a respeito da natureza compulsiva do vício em drogas”, disse o Dr. Gary Aston-Jones, diretor do Instituto Rutgers, da Universidade Estadual de Nova Jersey e um dos autores deste estudo. “Desde o momento em que a orexina foi relacionada ao abuso de drogas, nós a acompanhamos para compreender a sua mudança em motivação alimentar, mudança essa causada por consecutivos episódios de alimentação compulsiva.”

Os pesquisadores estudaram esse sistema alimentando a ratos fêmeas uma dieta controlada e outra concentrada em açúcar e gordura, provocando o ganho de peso e padrões de alimentação excessiva. Então desenvolveram uma tarefa condicionando os ratos a completá-la para continuar ganhando esses alimentos. Conforme o esforço necessário aumentava, uma motivação persistente para ganhar mais da comida foi apenas vista nas cobaias que previamente ganharam peso com a dieta concentrada. O que é de se notar é que o comportamento foi liquidado com o tratamento de bloqueadores de sinais emitidos pela orexina.

“Este estudo foi uma prova do conceito de usar inibidores para reduzir episódios de alimentação compulsiva, em roedores,” disse o autor do estudo Dr. Morgan James, pesquisador pós-doutorado no Rutgers. “Atualmente há vários medicamentos dedicados à orexina em testes clínicos e alguns já aprovados, então já começamos a testar se teremos os mesmos resultados positivos com eles.” A equipe do estudo relatou os seus achados esta semana no encontro anual da Society for the Study of Ingestive Behavior (SSIB), um grupo científico expert em comportamentos digestivos.

Os pesquisadores também descobriram que os inibidores de orexina podem reduzir a quantidade de comida ingerida durante os eventuais episódios, como foi visto em um teste onde as cobaias puderam alimentar-se livremente durante um período de trinta minutos.

“Tratamentos farmacológicos são atualmente muito limitados para os pacientes com distúrbios alimentares, então é animador ver mais opções de tratamento se expandindo para pacientes com episódios de alimentação compulsiva,” disse o doutor Nicholas Bello, professor de ciências animais na Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais na Universidade Rutgers, e também um autor-sênior neste estudo.

Os autores continuarão sua pesquisa investigando o tamanho e a quantidade de neurônios no cérebro que podem ter sido alterados seguindo as mudanças de hábitos alimentares e peso, ou suas combinações. Patrocínio a esta pesquisa foi concedido pelo programa Rutgers One Nutrition Pilot Grant e pelo Instituto Rutgers.

Siga o Mural também no Facebook, no Twitter e no Instagram

###

Fonte da matéria: EurekAlert!
Fonte da imagem: Longevity

Sobre o Autor - Gabriel Carvalho

Anúncios