Estudo explora de que forma detectamos emoções através de expressões faciais

Uma nova pesquisa conduzida por acadêmicos da Universidade da Ânglia Oriental (UEA) revela de que modo certas expressões são detectadas pela nossa visão periférica.

Ainda que a visão humana tenha uma maior resolução quando focada diretamente em algo, a maioria do que vemos ainda reside no nosso campo periférico, onde a definição é bem menor. Curiosamente, detectar sinais de perigo com essa parte de nossa visão é algo ao qual o nosso sistema visual tornou-se muito bem adaptado.

A pesquisa explora quão precisos e exatos são os participantes em dois processos de percepção visual: detecção, que se refere à capacidade de dizer se há ou não alguma emoção presente durante o processo e reconhecimento, onde o participante tenta identificar diante de qual expressão está.

Ainda que pesquisas anteriores baseadas em imagens cerebrais apontassem um processo de identificação mais primitivo e especial do medo, – uma emoção importante, que muitas vezes é também um indicativo de alguma ameaça – outros estudos mostraram que o medo é uma expressão ainda difícil de ser reconhecida.

Publicado pela revista PLOS ONE, esse novo estudo pelos pesquisadores da Escola de Psicologia da UEA investiga pela primeira vez quão bem reconhecidas são as nossas emoções básicas – felicidade, tristeza, medo, nojo, raiva e surpresa – quando detectadas pelo nosso campo visual periférico.

O doutor Fraser Smith, líder do estudo, disse: “Uma descoberta chave do nosso estudo foi saber que, ainda que o medo seja de difícil diferenciação aos nossos olhos, ele ainda é muito bem detectado, mesmo de soslaio. Isso sugere que os mecanismos do nosso cérebro priorizem a leitura da existência da emoção, ao invés do seu reconhecimento em si.”

Dr. Smith também disse que os achados eram muito importantes no sentido de que a dificuldade de leituras faciais pode estar associada a diagnósticos de autismo, psicose ou esquizofrenia. “Ser capaz de ler expressões faciais é primordial para as nossas vidas e relações diárias”, ele completa.

“Mostramos que não é só importante diferenciar as várias emoções que nossas expressões podem emular, mas também identificá-las em primeiro lugar. Isso nos dá uma ideia de quais sistemas subjacentes podem estar prejudicados, o que traz implicações no tratamento apropriado.”

Dra. Stephanie Rossit, co-autora da pesquisa, disse: “Nosso trabalho mostra a importância em considerar como diferentes tarefas podem nos conduzir a diferentes padrões de resultados com a percepção das emoções, e como elas podem ser reconhecidas foram de nossa visão central.”

O estudo envolveu 14 participantes aos quais foram mostradas imagens de expressões faciais de seis diferentes emoções, além de uma onde a expressão era neutra. Para a tarefa de reconhecimento, os participantes tiveram de decidir qual era a emoção representada, com as imagens exibidas em uma ordem e posição aleatória, que variava entre centralmente, ou a 15 ou 30 graus à esquerda ou direita do participante. A fase de detecção resumiu-se em dizer se a expressão mostrada era ou não neutra.

Assim como o medo é um sentimento melhor observado do que reconhecido, os resultados mostram também que surpresa e alegria são ambas reconhecidas e bem detectadas na visão periférica, ainda que a raiva e tristeza não partilhem do mesmo resultado.

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Fonte da matéria: EurekAlert!
Fonte da imagem: Panicyl

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