O casamento entre eletricidade e magnetismo.

Sabe-se hoje que os efeitos elétricos e magnéticos estão fortemente relacionados, mas nem sempre foi assim. O magnetismo já era conhecido desde Tales de Mileto, o qual já conhecia os efeitos de atração e repulsão de uma pedra e um tipo de óxido de ferro. Essa pedra recebeu o nome de magnetita (conhecido popularmente como imã), pois existiu um pastor grego chamado Magnes que percebeu que as pedras grudavam em seu cajado de ferro.

Na Grécia Antiga era conhecido também o fato de que, ao se atritar um pedaço de âmbar – resina fóssil translúcida e amarela derivada de um pinheiro antigo que já não existe mais-  com o pêlo de algum animal esse adquiria a propriedade de atrair pequenas partículas de pó ou pequenos pedaços de plumas.

Indo um pouco mais adiante, na idade média, Petrus Peregrinus produziu uma obra nomeada Epístola de Magnete, onde relatava experiências com o magnetismo, talvez este seja o primeiro trabalho, de que temos notícias, que buscava explicar os fenômenos elétricos e magnéticos. Peregrinus não fazia, todavia, distinção entre os diferentes tipos de atração: a magnética e a elétrica. Essa obra permaneceu ignorada até fim do século XVI. Dois mil anos depois ,William Gilbert  iniciou o estudo  da eletricidade e provou que não é apenas o âmbar que adquire tal propriedade. Descobriu também que ao se esfregar seda num pedaço de vidro este adquiria propriedade semelhante, com algumas características diferentes, e deu nome aos dois efeitos, chamando-os de eletricidade resinosa (para a do âmbar) e eletricidade vítrea (para a do vidro). O nome elétrico deriva da palavra grega Elektron, que significa âmbar.  E a partir disso, essas duas novas áreas de pesquisas – eletrecidade e magnetismo- foram sendo vigorosamente desenvolvidas.

Algo novo surgiu!

Em 1819, Oersted colocou um fio de transmissão de corrente sobre uma bússola, sem esperar que nada em particular acontecesse. A agulha girou-se violentamente, perpendicular ao eixo do fio. Quando Oersted inverteu a direção da corrente, a agulha girou novamente 180 graus. Isso significava então, que o magnetismo e a eletricidade não eram apenas análogos, mas diretamente relacionados. Nasce então o eletromagnetismo! Pouco depois, Arago demonstrou que um fio que carregava uma corrente elétrica comportava-se como um ímã. Ampere, em 1820, confirmou que um fio que carregava uma corrente era um ímã, demonstrando atração e repulsão entre dois fios separados de transmissão de corrente. Ele também experimentou com fios em diversas configurações e relacionou  a  força magnética com a força da corrente no fio. Tal conexão entre corrente elétrica e o magnetismo levou ao desenvolvimento do telégrafo, e mais tarde , para o Telefone.

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Experiência de Oersted. Fonte: (https://rachacuca.com.br/educacao/vestibular/fatec/2012-2-semestre/prova/fisica/)

Onze anos depois de Oersted ter feito o casamento da eletricidade com o magnetismo, Michael Faraday descobriu  que a variação magnética ao redor de um fio gera uma corrente neste. Com a descoberta de Oersted muitos motores foram construídos e outras maneiras de gerar movimento através da eletricidade foram inventadas. Enquanto Faraday estudava essas novas formas de gerar movimento ele descobriu que ao se ter um campo magnético variável ao redor de um fio condutor, uma corrente era gerada neste fio. Ou seja, Faraday descobriu uma maneira de gerar eletricidade através do movimento. A partir daí, o eletromagnetismo se desenvolveu de forma acelerada. Diversos experimentos e invenções de outros cientistas, entre os quais : Wilhelm Weber, Karl Friedrich Gauss, Werner von Siemens, Charles Wheatstone Samuel Finley Breese Morse,  Nicola Tesla, Thomas A. Edison e etc surgiram para agregar conhecimento à física.

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Experimento de Faraday. Variação do campo magnética gerando corrente elétrica. Fonte(https://www.infoescola.com/fisica/lei-de-inducao-de-michael-faraday/)

 

Em 1873 James Clerk Maxwell definiu o eletromagnetismo criando equações gerais  que sintetizam elegantemente essa área do conhecimento.

Ninguém em 1800 poderia ter imaginado que, dentro de cem anos ou mais,
pessoas viveriam em cidades iluminadas por energia elétrica, trabalhariam com máquinas movidas pela eletricidade em fábricas resfriadas por refrigeração elétrica, teriam celulares, televisão, entre outros aparelhos movidos por eletricidade .

Compreender as conexões entre magnetismo e eletricidade, e perceber que a compreensão da inovação tecnológica dominava a ciência no décimo nono
século é, além de deslumbrante, importante para entender os estudos atuais e até mesmo como as coisas funcionam atualmente, visto que  temos uma intrínseca dependência do eletromagnetismo em nossas vidas. Bem como os estudos dessa área podem trazer grande melhoria de vida, exemplo o Maglev, trêm eletromagnético criado pelo Japão.

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Funcionamento do trêm Maglev. Eletromagnetismo. Fonte( http://www.geocities.ws/saladefisica7/funciona/levitacao.html

A ciência serve para conhecermos como as coisas funcionam, suas relações e como podemos usá-las para obter uma melhor qualidade de vida para nós seres humanos. Ao fazer um experimento e observar algo diferente acontecer é imprescindível nos questionarmos e buscar entender os motivos que levaram aquilo à acontecer. Graças a isso, temos o conhecimento que temos hoje. Temos, graças a curiosidade desses cientistas: o eletromagnetismo!

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REFERÊNCIAS:
Charles Byrne. A Brief History of Electromagnetism, January 2, 2015

Brockman, M. (2009) What’s Next? Dispatches on the Future of Science, Vintage
Books, New York.

Fara, P. (2009) Science: A Four Thousand Year History, Oxford University
Press.

Vinicius Isola. A História do Eletromagnetismo. Acesso em : 25/11/2017

 

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