Mulheres em fuga: gênero e história

Imagem de capa: Autor desconhecido, extraída de Los Andes Plus

Em 24 de maio de 1975, 27 mulheres presas fogem do presídio Buen Pastor na cidade de Córdoba, na Argentina. Quem eram essas mulheres? Por que fugiram? Que momento é esse da história Argentina? Essas e outras perguntas são respondidas pela historiadora e Professora Livre Docente da UNESP Lídia Maria Vianna Possas em sua pesquisa ainda não publicada sobre mulheres durante a Ditadura Militar na Argentina entre os anos 1970 e 1980.

Para essa pesquisa a historiadora fez entrevistas com as mulheres presas sobreviventes, entendendo a oralidade como uma metodologia que aproxima de seu objeto ao mesmo tempo em que revela a memória coletiva sem deixar de recorrer à subjetividade da memória individual que por sua vez nos mostra o privado e o íntimo.

A ditadura militar argentina teve como período os anos de 1976 a 1983, foi um regime extremamente repressor e insere-se em um contexto de diversas ditaduras que já existiam na América Latina, principalmente no Cone Sul como no Brasil e no Chile.

O recorte temporal realizado pela historiadora Lidia Possas nos remete a um contexto de pré-ditadura. Entretanto uma série de aspectos repressores já aparecem como o encarceramento de militantes sobretudo de esquerda. As prisões arbitrárias, as perseguições e os desaparecimentos já tinham espaço nesse momento anterior à ditadura militar.

O fato único e singular estudado por Lídia nos faz compreender a participação feminina na ditadura, sua militância, assim como o próprio contexto maior, sob o olhar e o discurso das mulheres. A fuga foi uma ação pensada tanto pelas presas quanto pelos militantes que estavam atuando fora do Presídio em uma sintonia cheia de tensões que culminou no êxito da fuga e em um escândalo: afinal como 27 mulheres conseguem fugir de uma prisão? O estudo aborda ainda como as fugitivas viveram, após a fuga, em meio às hostilidades do controle violento dos militares.

A pesquisa da historiadora nos mostra o vigor com que os estudos de gênero têm em nosso país assim como as possibilidades temáticas que podem ser exploradas.

Lidia Possas apresentou esse trabalho no Simpósio Temático “Gênero: desafios e possibilidades em um contexto de crise e mudanças“, coordenado por ela e pelo historiador Paulo Eduardo Teixeira no XXIII Encontro Estadual de História – ANPUH-SP que aconteceu no campus da UNESP em Assis, no início de setembro.

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