Sistema imune é capaz de interferir no comportamento social

Por muito tempo, se acreditou que o cérebro era um órgão privilegiado, completamente isolado do sistema imune. Ano passado, essa noção foi destruída quando pesquisadores descobriram uma conexão entre o sistema linfoide – um sistema de vasos semelhante ao sistema circulatório sanguíneo, com importante papel na imunidade – e o cérebro. Essa semana, um novo estudo da mesma equipe causou impacto ao demonstrar que pelo menos um produto do sistema imune pode modular o comportamento social de um indivíduo. Os resultados foram publicados no periódico Nature, um dos maiores e mais importantes periódicos científicos do mundo.

No experimento, Jonathan Kipnis e sua equipe utilizaram ratos genéticamente modificados para não produzirem a molécula conhecida como interferon gamma, que é um produto do sistema imune, liberado em situações de combate à infecções bacterianas ou virais. Os pesquisadores perceberam que estes ratos apresentaram hiperatividade cerebral em certas regiões, levando à um comportamento anti-social por parte do rato. A restauração da expressão do interferon gamma fez o comportamento dos ratos voltarem ao normal.

ifn

Estrutura do interferon gamma, uma citocina do sistema imune envolvida no combate à patógenos – e, de acordo com o estudo, também envolvida em diversos processos sociais.

Os pesquisadores então realizaram uma meta-análise, comparando seus dados com o de outros estudos publicados, e concluíram que a ativação de interferon gamma está envolvida no comportamento social de diversos animais, incluindo ratos, peixes e moscas. Para os pesquisadores, esse achado possui interessantes implicações evolutivas: A interação social é importante para diversas espécies, mas ao mesmo tempo que traz diversos benefícios, também expõe o organismo à patógenos transmitidos pelo outro indivíduo. Assim, faz sentido que uma molécula imune tenha sido utilizada ao longo da evolução para promover o aspecto social – dessa forma, os dois sistemas trabalham em conjunto.

Além disso, este achado pode ter implicações para distúrbios do comportamento social, como a esquizofrenia e as condições do espectro do autismo. Este papel ainda precisa ser estudado, e os pesquisadores não acreditam que uma única molécula – no caso, o interferon – seja responsável por esses distúrbios, mas talvez o sistema imune de forma geral possa ter algum papel no seu desenvolvimento e progressão.

Fonte: EurekAlert

Sobre o Autor - Lucas Rosa.png

Anúncios