Machismo até na sua sombra

Por que razão, em uma sociedade tão evoluída da qual cá estamos, ainda existe o machismo? Bem, vamos tentar refletir:

Primeiramente e resumidamente, o machismo pode ser compreendido como uma forma de opressão, em que, na maioria das vezes é cometida pelo homem sobre a mulher. O machismo é uma forma de violência, seja física ou psicológica, e está tão enraizado em nossa sociedade que por muitas ocasiões chega a ser imperceptível.

Você homem, assim como eu, já se preocupou em andar a noite por uma rua escura? Se você tiver bom senso, é óbvio que sim! Nós temos medo de sermos assaltados, de levarmos um tiro, de deixarmos nossas famílias ou de perder nossos pertences, etc., o que são todos medos muito válidos, no entanto, não passamos pelo medo de sermos estuprados, e é isso que assombra diversas mulheres. As violências sexuais são o que o machismo tem de pior para nos mostrar.

Reuni alguns dados apenas para termos uma visão ampla e objetiva:

No estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, houve um total de 11.950 boletins de ocorrência, o equivalente a 32 casos de estupro por dia (2018).

48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência; no caso dos homens, apenas 14% foram agredidos no interior de suas casas (PNAD/IBGE, 2009).

3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular (nov/2014).

No Brasil, 4 mulheres são mortas para cada grupo de 100 mil, o que significa o número de 74% superior que a média mundial (2018). Todos os dados podem ser checados nas referências abaixo.

Se você der uma leve pesquisada vai encontrar um mar de informações como essas.

Além dos mais diversos tipos de violência sofrido pelas mulheres, o machismo é a base de ataque aos grupos que lutam contra isso, que é o caso das feministas. Busca-se diminuir a representatividade de tais grupos a partir de também falas machistas, como “feministas são só as feias”.

O Machismo é a supervalorização de características masculinas em detrimento das femininas, o inverso disso é o Femismo e não Feminismo, note que há uma diferença clara entre os temos. Essa falta de informação faz com que grupos feministas sejam odiados pelo simples fato da não compreensão do seu significado. Lembrem-se, feministas não querem ser superiores aos homens.

O machismo também tem base religiosa. Se pensarmos em suas raízes, como os textos mais antigos, o machismo fica ainda mais aparente, por exemplo: adulteras devem ser apedrejadas, mulher só fala com permissão do marido, deus é uma ideia masculina, Adão foi feito primeiro e Eva depois, homens podem ser casar com várias mulheres, enfim… São situações que repercutem historicamente, deixando seu rastro em várias sociedades, até mesmo nas mais modernas.

Existem ainda situações em que as mulheres são colocadas em uma posição de culpa, o machismo aqui faz com que se invertam os papéis, e a mulher agora é a culpada pelo ato que sofreu. Vai dizer que você nunca ouviu frases como:

– “Foi estuprada por que quis, por que estava vestida assim?”.

– “Por que não se cuidou, ficou andando de madrugada na rua, aí vai ser estuprada mesmo”.

“Fica com esse cara por que quer, tem que apanhar mesmo”.

São apenas alguns exemplos, dos quais é muito provável que já tenha lido ou ouvido algo parecido.

As práticas machistas são ancestrais, complexas e desafiadoras, e é por isso que todos nós precisamos abrir mais nossos olhos para ele, sejamos nós homens ou mulheres. Não existe receita do que se deva fazer, porém, existem algumas dicas que você pode seguir para que possamos equilibrar melhor essa balança. Entenda ainda que nada disso te fará menos homem, ao contrário por sinal.

Então, começa-se pelo básico, arrume sua cama! É isso mesmo, ensine seus filhos – machos, para ficar bem claro – as responsabilidades do cuidar de uma casa, aos poucos vá mostrando para ele que tudo aquilo não se arruma sozinho. Lave a louça! No mínimo as peças que você sujar, muitas famílias fazem revezamentos entre os membros, deixando talvez um pouco mais justo essa tarefa tão chata.

Outros apontamentos básicos e importantes: Não fique dando cantadas desrespeitosas na rua, não insista quando ela dizer não, não ache que é dono de uma mulher, pare de dizer que mulheres são desequilibradas, pare de espalhar que elas não dirigem bem, não julgue suas roupas, penteados ou qualquer outro adereço, etc. Aqui, com essas pequenas atitudes, começamos a desmantelar todo esse esquema adoecedor.

Do estado, só podemos esperar a criação de políticas públicas ao combate a esse tipo de violência, no entanto, o que vemos é um Governo focado em flexibilizar o porte de armas, o que pode alavancar os casos de homicídios. Também podemos esperar que a justiça seja mais efetiva nos casos mais graves, pois muitas vezes com vários boletins de ocorrência, a mulher acaba sofrendo alguma agressão por parte por exemplo do companheiro.

A você mulher, conheça seus direitos, conheça a lei Maria da Penha, leia, se informe, busque proteção familiar ou judicial, tente não se manter em relacionamentos abusivos de qualquer forma. Não espere mais.

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Mais informações:

Feminismo Sempre – Sobre o Femismo

Compromisso e atitude

G1 – Dados de violência contra a mulher

Em.com.br – Estupro atinge o maior patamar em cinco anos

Sobre o Autor - José Renato