24% do gelo da Antártida Ocidental se encontra instável

Traduzido de EurekAlert!

Combinando 25 anos de medidas do satélite altímetro da Agência Espacial Europeia(European Space Agency) e um modelo do clima regional, o Centro para Observação e Modelagem Polar do Reino Unido( UK Centre for Polar Observation and Modelling, CPOM) rastreou mudanças na cobertura de neve e gelo através do continente.

Um time de pesquisadores, liderado pelo Professor Andy Shepherd da Universidade de Leeds, descobriu que a camada de gelo da Antártida reduziu até 122 metros em certos locais, com mudanças mais rápidas ocorrendo na Antártida Ocidental onde o derretimento do oceano desencadeou desbalanceamento das geleiras.

Isto significa que as geleiras afetadas estão instáveis porque estão perdendo mais massa por derretimento e desprendimento de icebergs do que ganham quando neva.

A equipe encontrou que o padrão de afinamento das geleiras não tem sido estático. Desde 1992, o afinamento se espalhou através de 24% da Antártida Ocidental e sobre a maioria de seus fluxos de gelo — de Pine Island e Geleira de Thwaites — que estão agora perdendo gelo cinco vezes mais rápido do que estavam no começo da pesquisa.

O estudo, publicado em 16 de maio de 2019 no periódico Geophysical Research Letters, usou mais de 800 milhões de medidas da altura da camada de gelo da Antártida registradas pelas missões de satélites altímetro ERS-1, ERS-2, Envisat e CryoSat-2 entre 1992 e 2017 e simulações de nevasca durante o mesmo período produzido pelo modelo de clima regional RACMO.

Juntas, estas medidas permitem que mudanças na altura da camada de gelo sejam separadas entre aquelas devidas a padrões climáticos, como menor quantidade de nevascas, e aquelas devidas a mudanças climáticas de longo prazo, como aumento da temperatura dos oceanos, que derretem o gelo.

O autor principal e Diretor do CPOM, Professor Andy Shepherd, explicou: “Em partes da Antártida a camada de gelo afinou em quantidades extraordinárias, e então nos pomos a mostrar o quanto foi devido a mudanças no clima e o quanto foi devido a mudanças no tempo”.

Para isso, a equipe comparou a mudança na altura da superfície às mudanças de nevasca simuladas, e onde a discrepância era maior eles atribuíram sua origem à desbalanceamento das geleiras.

Eles encontraram que flutuações nas nevascas tendem a levar a pequenas mudanças na altura em grandes áreas por poucos anos por vez, mas as mudanças mais pronunciadas na grossura do gelo são sinais de desbalanceamento das geleiras que persistiram por décadas.

O Professor Shepherd complementou: “Saber quanta neve caiu realmente nos ajudou a detectar a mudança subjacente nas geleiras nos registros de satélite. Nós agora podemos ver claramente que uma onda de afinamento se espalhou rapidamente através de algumas das geleiras mais vulneráveis da Antártida, e suas perdas estão levando ao aumento do nível do mar ao redor do planeta”.

“Em conjunto, perdas de gelo da Antártida Oriental e Ocidental contribuíram em 4,6mm do aumento do nível do mar global desde 1992”.

Dr. Marcus Engdahl da Agência Espacial Europeia, um coautor do estudo, complementou: “Esta é uma importante demonstração de como missões de satélite podem nos ajudar a entender como nosso planeta está mudando. As regiões polares são ambientes hostis e são extremamente difíceis de acessar por terra. Por causa disto, a visão a partir do espaço é uma ferramenta essencial para rastrear os efeitos das mudanças climáticas”.

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Referências: 

Imagem em destaque: Andrew Shepherd

24% of West Antarctic ice is now unstable – https://www.eurekalert.org/pub_releases/2019-05/uol-2ow051619.php

The ERS-1, ERS-2, ENVISAT and CryoSat-2 satellite radar altimetry time-series produced in this study was funded by the European Space Agency Climate Change Initiative and is freely available at: http://www.cpom.ucl.ac.uk/csopr/icesheets/mass.html

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