Pesquisa revela chocante fraqueza de aulas em laboratório


Traduzido de EurekAlert!

Com a nova ênfase no aprendizado ativo e “mão na massa” durante o ensino superior, cursos de laboratório parecem ter uma vantagem: o que pode ser mais ativo do que realizar experimentos? Mas um novo estudo surpreendente revela que laboratórios tradicionais estão longe de seus objetivos pedagógicos.

Em um artigo publicado em 02/01/2018 no periódico “Physics Today”, Natasha Holmes, professora assistente de física da Universidade de Cornell, e o vencedor do Nobel Carl Wieman, da Universidade de Stanford, analisam nove cursos introdutórios de física experimental de três instituições, ministrados por sete instrutores e envolvendo quase três mil alunos. Os laboratórios foram todos desenvolvidos para auxiliar no aprendizado do curso teórico associado. Como os laboratórios eram opcionais, os pesquisadores podiam comparar os resultados com o grupo controle de estudantes que não faziam as aulas de laboratório.

Os resultados foram tão consistentes que os pesquisadores chamaram de “chocantes”. Eles escreveram: “com um alto grau de precisão, não houve benefício do laboratório estatisticamente significante… Nenhum dos efeitos foram maiores que 2%; foram todos indistinguíveis do zero”.

Mesmo quando os pesquisadores restringiram a análise para questões de prova que não necessitavam de cálculos, mas apenas conhecimento conceitual que deveria ter sido aprimorado nos laboratórios, eles encontrara o mesmo resultado: zero.

Cursos de laboratório deveriam permitir que os estudantes vejam o funcionamento dos princípios de física na vida real; conduzir experimentos deveria ajudá-los a entender física melhor e reforçar as aulas teóricas. Por que isso não acontece?

“Mesmo que os laboratórios pareçam inerentemente ativos, nossa pesquisa mostra que nos laboratórios tradicionais os estudantes podem estar com as mãos ativas, mas não estão realmente ativos com o cérebro,” diz Holmes. “Seguir uma lista de procedimentos para ter um resultado prescrito não ajuda muito”.

Em entrevistas com estudantes, Holmes e Wieman escreveram que “as únicas coisas que os estudantes precisaram pensar nos laboratórios foram a análise dos dados e se eles conseguiriam terminar o experimento a tempo“.

O modelo de laboratório que Holmes e Wieman sugerem como alternativa – laboratórios de investigação estruturada e quantitativa(SQILabs) – enfatiza a experimentação iterativa, tomada de decisão e o desenvolvimento de pensamento crítico quantitativo. Enquanto as atividades do SQILab dão aos estudantes um objetivo específico e realista, os estudantes decidem como conduzir o experimento e interpretar os dados. Eles têm a oportunidade de tirar dúvidas, revisar e testar modelos e tentar novas coisas.

Os pesquisadores descobriram que o SQILab é mais prazeroso para os estudantes e diminui seu senso de frustração quando as coisas não vão como o planejado. Os estudantes foram também menos propensos a manipular os dados para obter o resultado desejado.

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Fonte:

Imagem em destaque: obtida na internet

Research reveals ‘shocking’ weakness of lab courses: https://www.eurekalert.org/pub_releases/2018-01/cu-rr010318.php

 

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