Efeitos da mudança climática na biodiversidade

Traduzido de Eurekalert

Mês passado atingiu a marca de “o mês de Junho mais quente da história” em muitas partes do mundo. 2016 foi o ano mais quente no recorde de temperatura da era moderna. Nosso planeta está esquentando constantemente. Isto cria ameaças diretas para os seres humanos, como eventos climáticos extremos e aumento do nível do mar, mas cientistas estão preocupados com eventuais mudanças na biodiversidade que afetem indiretamente nosso bem estar. A variedade de vida, de plantas a microorganismos, é a base de muitos serviços que os ecossistemas nos produzem, como água potável ou comida. Hoje, ecólogos são desafiados pela seguinte questão: o que significa para a biodiversidade ter um mundo mais quente? Mais espécies, menos espécies, ou nenhuma mudança?

Um estudo feito por um time de ecólogos dos Centro Alemão para Pesquisa Integrativa em Biodiversidade(iDiv), da Universidade de Leipzig, e pela Universidade de Minnesota encontrou que o aquecimento global pode tanto aumentar quanto diminuir a biodiversidade, e a direção desse efeito depende do tamanho da biodiversidade inicial. Em um longo experimento conduzido em Cedar Creek, Minnesota, os pesquisadores se atentaram a mais de 30 prados, alguns cobertos por apenas uma espécie de planta(monoculturas), outros com mais de 16 espécies vegetais. Eles então aqueceram os campos usando lâmpadas, aumentando a temperatura cerca de 3º C acima da temperatura ambiente. Em seguida, os pesquisadores registraram como isso afetou nematódeos, pequenos vermes de inúmeras espécies que vivem abundantemente no solo. Nematódeos desempenham importantes papeis no ecossistema, como por exemplo ajudar na manutenção da fertilidade do solo.

Quando os pesquisadores aumentaram a temperatura das monoculturas, as espécies de nematódeos tornaram-se menos diversas. Entretanto, ao aumentar a temperatura dos campos com maior número de espécies de plantas, a diversidade de nematódeos aumentou. Dr. Madhav P. Thakur, principal autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no centro de pesquisa iDiv diz: “A estória é simples: é necessária biodiversidade para conservar a biodiversidade em um mundo mais quente”.

Isso não é, contudo, o fim da estória. Os pesquisadores também atentam para o fato de a biodiversidade ser limitada, o que dificulta a manutenção da biodiversidade num mundo mais quente. Enquanto eles encontraram um grande número de nematódeos nos campos com maior diversidade de plantas, essas espécies de nematódeos eram evolutivamente próximas, mais similares. “Isso acontece porque essas espécies foram selecionadas por uma característica comum: a tolerância à ambientes mais quentes”, explica Thakur. Este aumento na similaridade pode ter implicações no quão bem comunidades biológicas podem responder para mudanças ambientais futuras. Quais serão as consequências para a estabilidade dos ecossistemas do nosso planeta? Os autores encorajam pesquisas futuras dedicadas a este enigma.

Os prados de monocultura criados para o experimento assemelham-se com prados encontrados em terra intensivamente agricultada. Esses novos achados da pesquisa corroboram com os conservacionistas que advogam pela preservação da biodiversidade dos ecossistemas e consequentemente o bem estar humano em um mundo mais quente. Isto pode ajudar a prevenir efeitos negativos do aumentando da temperatura, embora com limitações.

Referências:

M. P. Thakur, D. Tilman, O. Purschke, M. Ciobanu, J. Cowles, F. Isbell, P. D. Wragg, N. Eisenhauer (2017), Climate warming promotes species diversity, but with greater taxonomic redundancy, in complex environments. Sci. Adv. 3, e1700866. DOI: 10.1126/sciadv.1700866.

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