Mudanças climáticas podem piorar a nutrição dos alimentos

Um prato de jantar recheado com alimentos de plantas poderá não fornecer a mesma nutrição até o final deste século como faz hoje em dia. Mudanças climáticas podem reduzir o teor de minerais e proteínas do trigo, arroz e de outras culturas básicas, sugerem as evidências.

Selênio, um elemento traço essencial para a saúde humana, já está em falta em dietas de uma em cada sete pessoas em todo o mundo. Estudos ligam a falta de selênio com problemas no sistema imunológico e declínio cognitivo. E em lugares com ainda maior deficiência de Selênio na China, os ossos das crianças não crescem com tamanho ou forma normal. Este elemento vital poderá se tornar ainda mais escasso nos solos das grandes regiões agrícolas com as mudanças climáticas segundo um grupo de pesquisa internacional anunciou online na Proceedings of the National Academy of Sciences.

Da mesma forma, deficiências de zinco e ferro podem crescer à medida que os micronutrientes diminuam em grandes culturas em todo o mundo, disseram Samuel Myers e Peter Huybers da Universidade de Harvard e colaboradores em um artigo publicado on-line em 6 de janeiro na Annual Review of Public Health. Experimentos futurísticos em campos de trigo e outras culturas importantes preveem que mais pessoas vão se encontrar com déficits nutricionais no final deste século por causa da diminuição do teor de proteína em muitos alimentos.

Muitas variedades de grandes culturas mostraram pelo menos alguma mudança de nutrientes quando cultivadas ao ar livre com dióxido de carbono extra sendo soprado sobre elas (variando de 546 a 586 ppm) em sete pontos espalhados pela Austrália, Japão e Estados Unidos.

Sorgo e milho, plantas que capturam carbono com o que se chama uma via C4, podem ser melhores na preservação de nutrientes em uma futura atmosfera enriquecida com carbono do que a maioria das culturas. O Fitato, não um nutriente, mas um composto que pode sabotar a absorção de zinco em seres humanos, diminuiu apenas no trigo. A queda do fitato no entanto pode ajudar a compensar o declínio de zinco, mas os pesquisadores observam que o zinco diminuiu ainda mais do que o conteúdo de fitato. O que esses declínios significam depende de quantas pessoas extraem uma parte substancial de nutrientes específicos de uma determinada cultura, um cálculo que as pesquisas estão começando a analisar.

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Gráfico demonstrando a variação (%) do nível de nutrientes de uma planta após exposição à concentrações elevadas de CO2 (Créditos: S.S. Myers et al/Nature 2014)

Com base em amostras desses experimentos, os pesquisadores descobriram que as concentrações de ferro no trigo caíram em média 5%. Os níveis de zinco caíram 9%. A maioria das outras culturas também apresentou uma tendência para declínio, embora o milho e o sorgo, que usam o que se chama a via C4 para a captura de carbono, mostraram sinais de possível resiliência.

O déficit nutricional poderá ser especialmente difícil para mulheres e crianças. Falta de zinco aumenta os riscos das mulheres grávidas de parto prematuro e pode relacionar crianças para o pouco ganho de peso e crescimento desacelerado. Um sistema imunológico robusto precisa de quantidades adequadas de zinco, e especialistas em saúde pública culpam 100 mil mortes de crianças por ano em respostas imunes enfraquecidas pela falta de zinco resultando nas crianças não conseguirem combater a pneumonia ou mesmo uma diarreia.

“A demanda global por alimentos está aumentando mais acentuadamente do que nunca na história humana”, disse Myers. Em 40 anos, a agricultura terá que produzir 70% mais alimentos do que faz hoje apenas para manter a população da Terra. No entanto, neste momento de crescente necessidade, as atividades humanas estão transformando o clima de uma maneira que poderá tornar a agricultura ainda mais um desafio.

Referências: Science Magazine

Sobre o Autor - Mário

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