Convergência Evolutiva e as Plantas Carnívoras

Imagem de capa: Autor desconhecido, extraída da internet

Cephalotus follicularis é uma espécie de planta carnívora nativa da Austrália. Atrai insetos à um órgão em formato de jarro, onde um coquetel de enzimas especializadas os espera para digeri-los. Um novo estudo analisou o genoma dessa planta e comparou os fluidos usados na digestão de suas presas com o de outras plantas carnívoras.

O que os pesquisadores descobriram foi que, apesar da distância e dos milhões de anos de evolução que as separam, a espécie australiana e plantas carnívoras do mundo inteiro chegaram à mesma receita fatal de moléculas.

Na opinião de Victor Albert, da Universidade de Buffalo em Nova York, um dos cientistas envolvidos no estudo, esse é “um caso clássico de evolução convergente”.

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Cephalotus follicularis em seu habitat (Holger Hennern via wikimedia commons)

A planta de origem australiana é mais próxima da carambola que de outras espécies de plantas carnívoras com armadilha em formato de jarro que são encontradas no continente americano e no sudeste asiático. Isso sugere que o gosto por carne evoluiu independentemente em várias plantas, que tinham em comum crescer em solo pobre em nutrientes.

“O que elas estavam tentando fazer era capturar nitrogênio e fósforo das presas” diz Albert.

Após estudar o genoma da planta, Albert e seus colegas detectaram diferenças na ativação de genes ligados às folhas especiais, usadas para prender as presas, em relação às normais, lisas.

Esses genes estão envolvidos na produção de açucares e amidos que podem ajudar a produzir o néctar usado pela planta para atrair os insetos, assim como também na codificação de substancias cerosas que dificultam uma eventual fuga.

Para saber como essa tipo de planta carnívora comia as suas presas, os pesquisadores coletaram amostras do coquetel digestivo da Cephalotus e de outras plantas carnívoras não relacionadas, identificando um total de 35 proteínas com a ajuda de espectrometria de massa.

Muitas dessas proteínas estão relacionadas às que são usadas por plantas em período de floração para prevenir patógenos, possíveis causadores de doenças. Por exemplo, as plantas costumam produzir enzimas que quebram um polímero chamado quitina, num esforço para se proteger contra fungos. Para Albert, as mesmas substâncias seriam usadas pela planta carnívora e outras similares para digerir o exoesqueleto dos insetos, também feito de quitina.

Apesar dos especialistas já estarem conscientes da importância da evolução convergente para as plantas carnívoras, o novo artigo, publicado em 6 de fevereiro no periódico Nature Ecology and Evolution, é relevante porque demonstra como esse processo pode ocorrer em nível molecular, segundo Aaron Ellison, ecologista da Universidade de Harvard.

Referência: Nature

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