Estrutura de receptor da maconha é revelado por pesquisadores

Imagem de capa: Autor desconhecido, extraída da internet

Há um grande interesse nos possíveis usos terapêuticos da maconha e seus compostos canabinóides constituintes. Moléculas que têm como alvo os receptores CB1 podem ser promissoras no tratamento de uma variedade de condições, tais como a dor, inflamação, obesidade, doenças de células nervosas e desordens do uso dessas substâncias. No entanto, alguns canabinóides sintéticos, tais como os chamados K2 ou Spice podem produzir reações graves e até mesmo mortais, enquanto que outros canabinóides produzem efeitos colaterais menos graves.

Atualmente, no entanto, só um extrato de maconha está aprovado para utilização. Ele contém THC e CBD em uma proporção de 1:1 e foi licenciado em 2011 para o tratamento de espasticidade refratário moderada a grave em esclerose múltipla. Em junho de 2012 uma junta do comitê alemão federal (Gemeinsamer Bundesausschuss) disse que o extrato mostrou um “ligeiro benefício adicional” para sua indicação e concedeu uma licença temporária válida maior.

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Fármaco “Sativex”, composto de canabinoides (Autor desconhecido, extraída da internet)

Uma nova pesquisa foi realizada visando fornecendo uma visão mais detalhada sobre a estrutura do receptor canabinóide humana (CB1). Os resultados forneceram informações importantes sobre como os canabinóides, tanto naturais ou sintéticos, incluindo o tetrahidrocanabinol (THC) – produto químico primário da maconha – se ligam ao receptor CB1 para produzir os seus efeitos. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA), parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Compostos da maconha interagindo com os receptores CB1 e CB2 representado como “chave e fechadura”

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Compostos canibinoides interagindo com os receptores CB1 e CB2 representado como “Chave e fechadura” (Créditos: Royal Queen Seeds)

Os pesquisadores usaram um produto químico específico, AM6538, para inativar e cristalizar o receptor CB1. Eles, então, obtiveram a estrutura tridimensional do complexo CB1-AM6538 por meio da cristalografia, é uma técnica usada para identificar a estrutura atômica e molecular de um cristal em que os átomos fazem um feixe de raios X incidentes difratar em direções específicas. Com base em evidências anteriores mostrando quão específico os canabinóides anexam a configurações químicas diferentes, os pesquisadores conseguiram prever como estes canabinóides se encaixam no modelo do CB1 tridimensional. O modelo também foi utilizado para calcular quanto tempo cada canabinóide se liga ao receptor de CB1, proporcionando desse modo pistas sobre os mecanismos pelos quais alguns produtos químicos produzem efeitos mais duradouros.

Os canabinóides podem produzir efeitos diferentes dependendo de como eles se ligam ao receptor CB1 e a compreensão de como esses produtos químicos se ligam ao receptor vai ajudar a orientar na concepção de novos medicamentos e fornecer informações sobre seu uso como droga terapêutica.

Referências: Cell

Sobre o Autor - Mário

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