Cientistas esclarecem mecanismo da geração de algumas “Superbactérias”

Imagem de capa: Encontrada na internet, autor desconhecido. Extraída de HealthcareGlobal

Muito provavelmente você já ouviu falar das “Superbactérias”, microorganismos extremamente resistentes à diversos tipos de antibióticos. Seu surgimento tem se tornado uma das principais ameaças à saúde humana nas últimas décadas – mas nos últimos dias os pesquisadores finalmente ganharam uma esperança nessa guerra silenciosa.

Já se sabe há um bom tempo que certas bactérias acabam por produzir um subgrupo da família de proteínas ABC-F, e o mesmo acaba por gerar resistência à diversos tipos de antibióticos nestes organismos. O que não se sabia até o momento é como essas proteínas levavam à resistência a antibióticos.

Muito se debateu entre dois possíveis mecanismos de ação. A primeira possibilidade, e a mais aceita até recentemente, era que a proteína agiria como um fator de efluxo do antibiótico para fora da célula – ou seja, essas proteínas transportariam o fármaco para fora da bactéria e impediriam sua ação. A segunda hipótese era que essas proteínas protegiam diretamente os ribossomos da bactéria, impedindo a ação dos fármacos – os ribossomos são alvos comuns de antimicrobianos, pois são estruturas responsáveis pela síntese de proteínas pela bactéria – sem síntese de proteínas, todas as funções da célula são interrompidas e a mesma morre.

Bactérias em cultura. À esquerda, temos uma bactéria suscetível à 7 antibióticos diferentes. À direita, uma bactéria suscetível à apenas 3 destes 7 antibióticos. (Imagem: Dr. Graham Beards via Wikipedia)

O trabalho publicado no periódico mBio dia 22 de Março buscou esclarecer essa dúvida. Dr. Liam Sharkey e sua equipe providenciaram o que eles afirmam ser as primeiras evidências diretas que a ABC-F age protegendo o ribossomo. Os pesquisadores compararam as proteínas à seguranças de boate – sempre que os antibióticos se ligam aos ribossomos para efetuar sua ação, a proteína os expulsa.

Com isso, os pesquisadores não só contrariaram o paradigma vigente na área, mas ajudaram a esclarecer efetivamente o mecanismo da resistência à antibióticos nessas bactérias. Com o mecanismo esclarecido, novos fármacos podem ser desenvolvidos para combater essa resistência, fornecendo assim uma arma para tentar combater as “superbactérias”.

Fonte: DailyMail

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