Se a vida te der limões, faça sacolas plásticas

Da capinha do seu smartphone até as janelas de um avião, os policarbonatos estão em toda parte. São produzidas milhões de toneladas de policarbonato todos os anos em todo o mundo. No entanto, as preocupações com os perigos deste material estão aumentando devido à toxicidade de seus precursores, especialmente o bisfenol-A, um potencial carcinógeno.

Contrapondo isso, uma equipe de químicos liderada por Arjan Kleij, líder do grupo ICIQ (Institut Català d’Investigació Química) e professor do ICREA, desenvolveu um método para produzir policarbonatos do limoneno e CO2, produtos abundantes e naturais.

O D-limoneno é um composto químico, oleoso, encontrado na casca das frutas cítricas como o limão, a laranja e a tangerina. É caracterizado como um monoterpeno que pode ser extraído da casca do limão, dependendo da variedade são 65-70% de D-limoneno. O óleo da tangerina tem 70% e do grapefruit é super-elevado: 95%.

Além disso, o limoneno é capaz de substituir um bloco de construção perigoso atualmente usado em policarbonatos comerciais: bisfenol-A (também conhecido como BPA). Embora o BPA tenha sido classificado repetidamente como um produto químico seguro por agências americanas e europeias, alguns estudos apontam que é um potencial disruptor endócrino, neurotóxico e cancerígeno. Alguns países, como a França, a Dinamarca e a Turquia, proibiram o uso de BPA na produção de mamadeiras.

“Nossa abordagem substitui o BPA por limoneno, que pode ser isolado de limões e laranjas, dando-nos uma alternativa muito mais verde, mais sustentável”, diz Kleij. O professor também explica que a substituição total do BPA por limoneno pode ser complicada para a maioria das indústrias neste momento, porque o BPA pode assumir cada vez mais o controle. “Podemos começar a adicionar pequenas quantidades de limoneno, em seguida ir substituindo progressivamente o BPA”, comenta. “Passo a passo, o processo de adaptação pode levar a novos biomateriais derivados do limoneno com propriedades similares, ou mesmo melhoradas e novas”.

Os pesquisadores não só conseguiram produzir um polímero mais ecológico, mas também conseguiram melhorar suas propriedades térmicas. Este polímero derivado do limoneno tem a temperatura de transição de vidro mais alta já relatada para um policarbonato. “Ficamos bastante surpresos em encontrar isso, porque os bioplásticos conhecidos têm propriedades térmicas mais baixas do que os polímeros clássicos”, explica Kleij. “Nós fomos primeiro céticos sobre essas descobertas, mas conseguimos reproduzir esses recursos de forma consistente”. Ter uma alta temperatura de transição no vidro tem outras implicações: os novos plásticos exigem temperaturas mais altas para derreter, o que os torna mais seguros para o uso diário. Além disso, este novo polímero também pode oferecer uma miríade de novas aplicações para policarbonatos e copolímeros de bloco usando formulações de materiais apropriados.

Kleij e seus colegas de trabalho estão atualmente negociando com produtores de plástico para avançar ainda mais com a fabricação industrial de biomateriais derivados de limoneno.

Referências: Eurekalert!

 

Sobre o Autor - Mário

Anúncios